quinta-feira, 16 de maio de 2013

A diferença não é barreira

Com um sorriso no rosto ela foi feliz para aula. Apesar de muito tímida, o caminho rotineiro era repleto de muitos sonhos e gargalhadas. Ela se sentia sozinha, mas preferia sua sombra em vez de meninas e meninos fúteis da sua escola. Na verdade só tinha um amigo, o Lucas, também  excluído, só não tanto quanto ela.  

"Talvez você esteja certo" disse Helen 
"Claro que estou, você uma menina inteligente e ainda vai se apaixonar por um babaca como Robson."

Ela sabia de todos os defeitos e diferenças perceptíveis entre eles dois. E também que o seu amor não era recíproco. Mas apesar disso tudo, perdia a sua aula de Geometria olhando o seu colega de sala tão desejado. Decorou todos os seus detalhes, cada blusa, tênis e conversas paralelas com as amigas.

Apesar de muito esforçada, Helen adorava a aula de Matemática, pois eram esses os momentos que via Robson. Era repetente há dois anos de geometria básica. 

"Não enxergas que ele não é menino pra tu?" Fala Lucas bem baixinho.
"Até aqui Lucas? Eu estou tentando me concentrar, temos prova essa semana"
"Percebo que até aqui na biblioteca você só pensa nele" Se levanta e vai em direção a uma bancada. 
"Não sabia que estava tão perceptível. O problema é que ele mexe comigo. Os seus olhos, seu sorriso, cabelo bagunçado e até aquelas roupas amassadas faz me apaixonar cada vez mais. Eu sou assim e ele é do jeito dele. Somos diferentes e sei que ele pode um dia me amar também. Sou uma menina e ele um homem."

Chegou o verão e as férias, Helen sempre ia para casa de praia, humilde mais muito confortável. Sempre como todo ano, acordava, praia, almoçava e lia seu livro predileto. Mas esse ano não foi assim, Robson também ia passar verão na mesma cidade. Uma cidade pequena. E pela noite era quase obrigatório todos irem para o mesmo restaurante, o único bom da cidade. Sabendo que ele ia, não faltava uma noite.

Um vestido branco com detalhes vermelhos, sandália rasteirinha e só pó e blush. Ela transparência suavidade e pureza. Robson gostava disso, percebia que ela era diferente das outras. Se interessava pela simplicidade e inteligência. Toda noite depois do restaurante Helen tinha mania de ir para seu banquinho na praia, escutar as ondas do mar e sentir o vento balançar seus cabelos. Mas aquela noite ela recebeu uma companhia.

"Boa noite, posso sentar aqui?" Diz Robson já se sentando no banco ao lado de Helen e vendo ela só balançar a cabeça em sentido  de sim.
"Não quero te incomodar, só percebi que toda noite você vinha para cá, e ficava sozinha." E Helen continuava calada. Não por ser antipática, mas realmente tímida. Dentro dela seu coração acelerava, sua boca salivava e só conseguia pensar o quanto gostava dele. 
Por dois minutos o silêncio.



 E enfim ela falou: "Você não é aquele garoto da minha sala?"
 "Sim, sou eu. Sempre te vi distante com aquele teu amigo... "  
"Lucas ?"
"Lucas. Vocês são namorados?" Robson pergunta com voz baixa e tímida. Ela rapidamente responde que não.
"Eu sinto que você é uma menina diferente. Você é linda, esforçada, inteligente. Tão diferente de mim. É a menina que qualquer menino sonha."
"Apesar de todas as diferenças, eu gosto de você. Tens as suas qualidades: corajoso, divertido, autêntico" 

Todo o verão foi repleto de encontros e muita paixão. O que surpreendeu Helen foi que na volta as aulas ele segurou sua mão na frente de todos. Aquela menina excluída e feia, foi reconhecida por aquele homem que ela tanto gostou. O amor não tem fórmulas e muito menos regras. Pode acontecer ou já aconteceu. Um dia você irá sentir. 


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